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Earthbound: as medidas anti-pirataria mais bizarras dos games

31/05/2010

Pirataria nos games.

Na atualidade, muito se ouve falar dela. Graças aos mais diversos fatores – como, por exemplo, a altíssima carga tributária embutida nos jogos vendidos no Brasil – o preço dos jogos comercializados aqui não é nada módico, o que leva os jogadores, muitas vezes, a apelarem para tais métodos, digamos… “não ortodoxos” de jogar. Até mesmo nos países da américa do norte, Europa e Asia, onde os valores são mais acessíveis, há quem pirateie. Seja nos flashcards do DS, nos desbloqueios de 360 e PSP, nos cracks dos jogos de PC, sempre surge um jeitinho de curtir seu game sem ter que pagar por ele.

E as empresas, de olho na tremenda evasão de lucros gerada com a pirataria, buscam medidas para contê-la. Estas vão desde sistemas mais simples, como os já tradicionais “Serial Numbers“, até os mais complexos, como os que surgiram recentemente integrados às redes online.

Com todo esse alvoroço sobre o tema atualmente, até nos esquecemos, por vezes, que a pirataria é assunto antigo nos videogames. Vem lá de trás, da época dos cartuchos, onde até os consoles eram “pirateados” (os NES clone, que vivem até hoje, que o digam!).  Da mesma forma, também não é de hoje que as empresas buscam barrar a pirataria…

Pirataria nos jogos...

... e nos consoles também. Quem nunca viu alguém que ganhou Polystation por Playstation?

Nessa “era antiga”, contudo, os meios para tal eram mais escassos, gerando a obrigação da empresa inovar para inventar maneiras para frustrar as expectativas dos “fanfarrões” copistas. E nesse sentido, a Nintendo e a HAL foram além de todos os limites conhecidos, ao lançarem o tremendão Earthbound.

Jogo bastante subestimado, Earthbound é um dos melhores RPGs do SNES na opinião deste que vos escreve. Integra a série Mother, com lançamentos para o NES e para o GBA, e é o jogo mais acessível desta, por ter sido oficialmente lançado em inglês. Mother 2, nome original do game, fez um relativo sucesso nas terras nipônicas, mantendo por lá até hoje o status de “clássico” que merece. Se quiser conhecê-lo, recomendo bastante, vale o download! Mas a intenção aqui não é falar desse game, e sim das “peculiares” medidas anti-pirataria nele incluídas.

Primeiramente, e a título de curiosidade, relaciono duas medidas “comuns” da época, somadas, então, as mais bizarras.  Let’s-a-go!

MEDIDA 1: AS VELHAS TRAVAS REGIONAIS

Tão velhas e duradouras quanto a própria pirataria são as travas regionais, que impedem que o cartucho seja lido em um console de região diferente. Nas versões européias do game, você se deparava com essa agradável tela, caso tentasse rodá-lo em console impróprio:

Em outras palavras: você se ferrou.

MEDIDA 2. “SEU, SEU, SEU… CRIMINOSO!”

Essa era utilizada em muitos cartuchos do SNES. O jogo lia o total da memória do cartucho  e exibia essa telinha caso notasse valor diverso do esperado – os piratas geralmente eram maiores, visto que o chip onde era gravado o jogo era de um tamanho “padrão” maior – ou alguma outra alteração de dados. Se você tinha algum cartucho mais “judiado”, certamente já se esbarrou com ela ao ligá-lo no SNES, ainda que fosse original, pois, se devido a defeitos/sujeira o cartucho deixasse de ler todas as informações, ela aparecia. Earthbound, como vários títulos da época, se valeu dessa e logo mandava essa mensagenzinha amígável: afinal, é um crime SÉRIO copiar jogos. Pelo jeito, pior que matar alguém…

Pena de morte pra você, larápio.

MEDIDA 3. “MAS QUE JOGO DIFÍCIL!”

Filhadaputagem“. Peço perdão pela falta de decoro nesse blog de família, mas nenhuma outra palavra conseguiria expressar melhor o que é essa medida representa. Bem, imagine só a situação: você, 11 anos de idade, compra seu cartucho piratão, 20 mangos na banca da feira (economizados do dinheiro do lanche, lógico),e chega em casa, todo feliz pra jogar. Meia hora depois, a frustração: descobre que Earthbound é possivelmente o jogo mais difícil que você já viu, com mais inimigos pra enfrentar do que FFI do NES, fazendo Battletoads do NES parecer coisa de bebê. “TEM MUITO INIMIGO ISSO AQUI, haja monstros na tela, quanto exagero! Isso é injogável!” Cansado, você desliga e joga o cartucho em qualquer lugar ou vai trocá-lo por qualquer outra coisa.

HARD.

Nesse exato momento, um dos produtores do jogo, provavelmente um gordinho sujo e rejeitado cuja única diversão é sacanear desconhecidos, está rindo de você, do outro lado do mundo. Porque esse é o efeito de uma das “travas”: reconhecendo o jogo pirata, ele ainda o deixa funcionando, mas aumentando absurdamente a taxa de inimigos, deixando o game virtualmente injogável. Genial a criatividade maligna dos caras.

MEDIDA 4: INDUZINDO PIRATEIROS AO SUICÍDIO

Como gastei aquela palavra de moral questionável no último tópico, não restou nenhuma para classificar aquela que é conhecida como a medida anti-pirataria mais absurda do mundo. Pensei em outras: maldade, perversidade… Sacanagem, na sua mais pura forma. Mas não dá, nada expressa a realidade dessa medida que deve ter levado muito moleque a querer se matar ao se deparar com ela.

Então, você descobriu que aquele bando de monstro na tela era coisa da “trava” e comprou outro cartucho. “Esse tá beleza“, pensou, feliz, enquanto comia um Mirabel e se preparava para horas de diversão com Ness e sua turma.

E lá se foram horas e mais horas de jogo, tudo dentro da mais perfeita normalidade. Você chega no último chefe, prestes, finalmente, a zerar. Chama até seu vizinho, aquele moleque chato que tem um Mega e acha Sonic melhor que Mario para ver o glorioso desfecho do game. Nesse momento, bancando o “maioral-garotão-malandro”, ri da cara do produtor, já que conseguiu finalizar o game com sua versão piratex. Mas já diz a sabedoria popular: quem ri por último, ri melhor.

De repente, o jogo trava. Congela, totalmente. Gliches na tela. Você pensa que é só um daqueles bugs que o SNES dá quando você dá uma esbarrada no cartucho… Nada que um reset não resolva, né. Arruma um pedaço de papel, sopra e dá uma “escorada” no cartucho, e liga de novo.

Passa a marca, entra o jogo, e… “CARA, CADÊ MEU SAVE?

Nesse exato momento, aquele produtor gordo está dando uma risada ainda mais gostosa da sua cara. Porque esse é o efeito da medida antipirataria mais bizarra de todos os tempos: ela trava seu game e apaga seu save no ÚLTIMO CHEFE, após infidáveis horas de jogo. Só lhe restam duas coisas a fazer: praguejar e amaldiçoar a Nintendo até a décima geração ou se matar de puro ódio. Haja sacanagem!

E é isso. Espero que tenham gostado dessa curiosidade, que até fãs fervorosos dos game desconhecem. E se você se lembrar de mais medidas bizarras dos games antigos, deixa um recado aí nos comments, que a postagem futura é certa!

No mais, deixo registrada a fonte principal das informações e imagens: hhtp://starmen.net/, parada indispensável para os fãs de EarthBound.

Até!

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